domingo, maio 13, 2007

Quando não se esteve nem foi
que não com um cérebro fértil,
acertando os parâmetros e as artes
ansioso como um coração,
esperava-se pelo batimento do compasso,
revendo próximo o ideal
conducente à aceitação própria
e derivada de haver definição,
seja ela as consequências necessárias.

Foi preciso lidar com as derrotas
que um cérebro demasiado atento
media, réguas negativas esgotando
a energia dos traços. Geometrias
de ser recalcadas desenharam-se
e foi preciso dar passos atrás
até à caverna do ínfimo,
estática à sombra das forças.

Da caverna se iluminaram
dedos imaginativos,
desenhando nas suas paredes
as memórias de antepassados,
memórias baças e ásperas
e extremamente incompletas,
mas que eram eles mesmos pintando
e ignorando sintaxe,
toda essa esmagadora sintaxe acumulada.

Por fim, inócuo por desvio,
se caminhou para o percurso
de à luz do dia observar,
mas sem cérebro - com o passeio,
como que sob a tutela de um mestre Caeiro,
simplícia libertação.
Belo princípio de um círculo
que afinal traça a lembrança
de ele já ter sido completo,
de já ter sido um sorriso.
E quando o seu largo perímetro
se emancipa suas vertentes
à geometria,
cumpre a órbita a sua rota,
menos anos-luz para a meta,
a felicidade em mim.

Já não sofrerei o que já sofri,
auto-imune.
Entanto, sofro agora
uma outra forma de passar,
perdidas que estão as quimeras
junto com a dôr.
Cansam à alma, veterana aleijada na guerra,
os prefácios do livro de ser,
revivê-los, ainda
em semelhante circunstância, afinal.
É caimbrã na caminhada
reconhecer a lógica do mundo,
diatónica e bipolar,
no espaço como no tempo,
e principalmente nessa mesma métrica
que relembra as minhas mesmas cedências,
por disparidade,
e agora até de fôlego
por desabituação.
É difícil não findar reverenciando,
parcialmente, a mecânica do costume,
quando eles mais se acercam e exigem,
sem saber que o fazem - mesmo até sem o fazer,
antagonismo que se verifica.

É preciso aceitar o etéreo ranking
em que o alheio, mentalidades, vê amíude
os pequenos gestos e suas razões pequenas,
e até as pessoas que os tentam,
extrapolando visceralmente a sua dimensão própria.
É preciso aceitá-lo, e não percebê-lo.
Renunciar à noção do mesmo,
mas não sem antes admiti-la.
No âmbito das presenças
sempre que se quer, é o retorno.
Mas é preciso marcá-lo primeiro
com os joelhos erguidos da lama
invisível de quedar passivo,
aos critérios excessivamente estruturados
da estimativa social excessiva
do que se é e se pode,
para se poder pensar ser,
para poder agir ser.